mai 8

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querido, jamais saberia dizer, fazer ou escrever o quanto gosto de te ver, de te escutar, de te cheirar, de te tocar, de falar com você.
Meu pai.

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mai 8

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Sobre nós afirmo:
Estamos juntos
Estamos em sintonia
Amamo nos
Respeitamo nos
Olhamo nos
Espreitamo nos
Confundimo nos
Desamarramos nós
Enchergamos nós
Desatamo (n)os

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jun 8

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há as vezes uma nostalgia ligada àquela luz. alguma coisa que só se nota no outono. não sei qual o nome. banzo. memória. lembrança. saudade indefinida relacionada com os sentidos. nostalgia. lembro que finalmente caiu a chuva. um alívio. ninguém suportava tanta eletricidade. um azul mais azul que todo e qualquer azul que enfim desbota e amarela. lembro a temperatura do vento. lembro o barulho do farfalhar agitado das folhas secas. lembro do cheiro da chuva que ainda não sabia que mais tarde cairia.

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mai 12

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das coleções:

lápis

lapides

garrafas

borrachas de cheiro

manias

fraquezas

feridas

anos

quilos

rugas

receitas

pintas

pintos

recortes

lugares

luzes

lampejos

latinhas

saudades

pessoas

perigos

pecados

palavras palavras

palavras…

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mai 7

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aquilo que não se explica

não se guarda

nem se entende

não se julga

nem se edita

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abr 30

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Pois é, Zé…

Muito tempo longe daqui, longe daí, longe, daí?

É que a doi(í)da da vida insiste em passar depressa feito vento

na teima de não amarrar doença ou fracasso,

e a gente acaba distraindo do tempo e sumindo do espaço.

Tive saudade e lembrei ou careci de escrever,

saber e dizer as novidades.

Parei de fumar, Zé.

Eu sei que na carta não se vê meu orgulho,

o brilho nos olhos que pro leão é reinado,

o queixo que procura levemente levantado

a curva do mundo que só na cor se nota.

Mas se mandasse retrato acho que se notava

como vencer esse bicho abrilhantou minha aura.

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ago 17

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Que sorte, tanta coisa ainda por fazer

tantas gavetas pra arrumar

tantas línguas pra aprender

tantas bocas pra beijar

que sorte ser tão desorganizada

ainda há muito pra organizar…

que sorte andar por aí sem pressa

o tempo demorando a passar.

que sorte gostar demais

só assim pra depois desgostar.

deixar que passem as horas a refletir sobre o passar das horas

e jamais desejar que elas voltem

sorrir ao olhar para trás.

é muita sorte não ser tão nova a ponto de se deixar enganar

nem tão velha que já tenha perdido a capacidade de se iludir

nem tão cinica que não acredite mais nos sonhos

nem tão tola que passe o tempo todo a sonhar.

que sorte ser bonita na medida de não ter medo de deixar de ser

nem tão feia que se tenha medo de olhar no espelho.

que sorte ter um bom trabalho no país que eu nasci

um país difícil de se ter um bom trabalho…

sorte poder escrever essas coisas, boas ou ruins, é mais que sorte poder escrever.

ter tido condições de ser alfabetizada,

ter tido educação.

não deveria ser uma sorte, deveria ser um direito.

mas por aqui, é sorte.

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ago 13

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Augustine sempre fora impiedosamente corajosa.

Um dia bateu-lhe a porta um sujeito carrancudo e mal cheiroso.

Augustine convidou-o a entrar, afinal ela era destemida e até um pouco arrogante. Não era de se assustar com nada.

O sujeito foi entrando, foi sentando, foi abrindo a geladeira. Muito a vontade, confortávelmente espaçoso.

Ainda assim Augustine demonstrou-lhe gentileza, foi o que sabia ser, disponível.

O Medo assim sentiu-se em casa, foi entrando sorrateiro em suas gavetas, acomodando-se sem cerimônia em seu sofá, deitando-se em sua cama.

Quando Augustine caiu em si, tudo lhe assustava, o cheiro do medo sufocava o ar e ela passou a andar escondida pelos cantos da própria casa. Levava sustos com qualquer barulho familiar, fazia esforço pra não chamar atenção do seu “hóspede”.

Com o tempo, a casa cheirava a medo e o desconforto de Augustine era o de uma intrusa, enquanto o forasteiro, com os sapatos enlameados, fazia as vezes de anfitrião…

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ago 7

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Diversão

Segundo o dicionário (o pai dos burros) : o que se faz por prazer; entretenimento.

Segundo ( seguindo ) minha intuição : Amor pela vida que não tem idade, não tem escolha, não tem senso crítico. Nescessidade alguma de exibição. Não passa nunca, é inesgotável. A criança pulando corda dentro de nós que não se cansa. Divertido é o espontâneo, algo que não perde a cor, ainda que os anos passem. Divertir-se é olhar pra si com ar de galhofa, sem expectativas, rir de suas mazelas também. Não tem nada a ver com juventude ou poder. Aliás, quanto mais somam-se os anos, mais aprendemos a nos divertir de verdade. Não pros outros, não pra mostrar que estamos nos divertindo MUITO, postando blogs e vídeos e fotos pra mostrar que somos felizes e que estamos aproveitando “nosso melhor momento”. O sábio sabe se divertir em qualquer época, com seu trabalho, com seus amigos, reais por sinal, não imaginários. Divertimento não é obrigação, é inerente a vida. É gostar de ser quem é e do que se tem, sem medo do amanhã. É poder desfrutar daquilo que já viveu sem a menor vontade de voltar pra trás. Seguindo sempre em frente com a certeza de que está vivendo tudo aquilo que imaginou viver, e que só o Tempo poderia ter-lhe proporcionado.

“Ainda que as uvas se convertam em passas, o coração é sempre uma criança, disposta a pular a corda”

E cada um que se divirta como quer e como gosta…

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jul 16

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levanta filho

levanta e vai olhar pela janela

todas as cores estão lá

levanta e vem ver que o sol está

e que estando a árvore

 se vê que a sombra também está

vem ver meu anjo

não há cabelos que contem tanta história

nem veludo tão gostoso de tocar

e as portas estão todas abertas

e nas ruas cantam passarinhos

quem havia de cantar?

Pede o que quiser para o natal

vai ter festa

carnaval

vai ter bloco

vai passar.

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